quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Chicletes sem Açúcar

Foi-se o tempo em que o chiclete merecia a condenação absoluta dos pais, professores e dentistas. Depois que o açúcar começou a ser retirado de algumas marcas, sua condição de ameaça à arcada dentária passou a ser revista pela ciência. As novas versões desprovidas do ingrediente não só evitam alimentar a bactéria da cárie como contribuem para a proteção natural dos dentes. Nos últimos anos, já chegaram ao mercado até produtos enriquecidos com uma substância que fortifica esse escudo bucal, chamada recaldent – um suplemento à base de cálcio e fosfato que aumenta o poder de remineralização da dos chicletes.

Muita calma, porém, antes de mascar qualquer chiclete com a pretensão de conservar o sorriso. Os com açúcar — e eles ainda imperam nas prateleiras — continuam um perigo para a dentição se consumidos em excesso e aliados à falta da dupla escova e fio dental. Dado o aviso, podemos saborear o poder preventivo das gomas sem açúcar. Elas estimulam a produção de saliva, líquido que tem um papel muito importante no controle da cárie.

O dentista Marcelo Bönecker, da Universidade de São Paulo explica que “quando comemos, o pH da boca fica ácido e, para compensar esse desequilíbrio, o esmalte dentário perde minerais como cálcio e fosfato para o meio bucal”. Isso torna o dente mais suscetível a ataques bacterianos. Contudo, quando se mastiga um chiclete livre de açúcar, uma quantidade considerável de saliva vem à tona e, nesse caso, o líquido contém moléculas de cálcio e fosfato de sobra. “Os estudos mostram que, com esse fluxo elevado, a dentição deixa de ceder minerais, e isso ajuda a prevenir cáries”, diz Bönecker. E os benefícios não param por aí: existem indícios de que esse aumento do fluxo salivar, por incentivar o processo de remineralização do esmalte dentário, acabe erguendo uma muralha mais rígida contra os micróbios.

A goma pode se grudar a restos de alimentos e ajudar a eliminá-los dos dentes. Apesar de tanto benefício, temos que recordar que os chicletes não substituem a escovação nem desalojam cáries já instaladas. Eles não devem ser consumidos todo dia, mas são úteis quando o indivíduo está sem a escova por perto. O ideal, portanto, é que o mascar ocorra imediatamente após o fim da refeição ou, por exemplo, depois de um doce no meio da tarde. No entanto, sempre que houver condições, vale a pena fazer a higiene com a escova, a pasta e o fio.

Algumas pessoas, porém, precisam apreciar a guloseima com bastante moderação, como crianças pequenas e portadores de gastrite ou disfunção temporomandibular, a DTM.