segunda-feira, 15 de março de 2010

Flúor


O que é o Flúor?

O flúor é um mineral natural largamente distribuído pela natureza. É um elemento relativamente comum, compondo algo em torno de 0,065% do peso da crosta terrestre, sendo o décimo terceiro elemento em abundancia, mais comum que o cloro. Na sua forma natural é encontrado sob a forma de gás, mas como possui alta reatividade química, o flúor se associa a outros elementos formando compostos. Na forma de fluoreto é incorporado na estrutura do osso e dos dentes. Estes compostos possuem a capacidade de interferir no processo de desmineralização e remineralização do esmalte dentário.

Alguns alimentos contém flúor, assim como a água fornecida pelas empresas de serviço público. Para a sua utilização na fluoretação da água de abastecimento no Brasil estão regulamentados o Fluoreto de Sódio, a própria Fluorita, e sendo os mais adotados o Ácido Fluossilíco e o Fluoreto de Sódio.


Como o flúor atua?

O esmalte dentário contém mais flúor sob a forma de fluoreto de cálcio. Um suprimento de flúor é essencial à formação adequada do esmalte e qualquer deficiência a este respeito resultará em esmalte pouco denso e de qualidade inferior. O mecanismo de ação do flúor pode ser explicado pelo aumento da resistência do esmalte à desmineralização durante o desafio cariogênico, pelo aumento da velocidade de maturação pós-eruptiva do esmalte, pela remineralização das lesões, pela interferência no metabolismo dos microorganismos e também pela redução da profundidade de sulcos e fissuras.

O uso do flúor na odontologia sempre incomodou a vários setores da sociedade, sendo científicos ou até mesmo políticos. Sempre houve resistência e uma séria oposição contra a fluoretação da água. O que se pode constatar e garantir para a população é que a água tratada e fluoretada, mantida nas condições físico-químicas ideais e com uma concentração de flúor controlada através da vigilância epidemiológica, é um agente promotor de saúde bucal. 

O uso tópico do flúor deve ser empregado durante e após a erupção dos dentes. A aplicação local direta de flúor é mais importante que a sistêmica. Dentifrícios, soluções para bochechos, soluções ou géis para aplicação tópica e vernizes fluoretados, além da incorporação em materiais de uso odontológico, são algumas formas de apresentação do flúor de ação tópica.

O fluoreto pode agir no controle da cárie dentária por interferir nos processos de Des e Re, atuar na mineralização pós-eruptiva e por inibir o metabolismo bacteriano. Todas essas ações do fluoreto sofrem interferência da sua concentração, pH, composição e tipo de veículo no qual ele está contido.

O fluoreto não “previne” à cárie dentária, já que não tem significativa influência sobre os fatores etiológicos (estrutura dentária, dieta ou bactérias). Na verdade, o fluoreto “controla” o aparecimento da lesão de cárie clinicamente, por interferir na dinâmica DES e RE. A atividade constante do fluoreto na interface biofilme/esmalte é mais importante para reduzir a solubilidade do esmalte que a alta concentração de fluoreto incorporado nos cristais de esmalte. Atualmente, o acesso ao fluoreto no ambiente bucal por meio da água e dentifrícios fluoretados, que são os métodos mais utilizados, consegue cumprir seu papel no controle da cárie dentária para a maioria dos indivíduos. No entanto, no panorama mundial, a cárie se encontra polarizada, havendo ainda hoje alguns pacientes com alta atividade da doença. Nesses pacientes, o conhecimento do tempo necessário para o término das reservas de fluoreto, de terapias para aumentar a concentração de fluoreto presente, assim como de agentes ou outros íons capazes de potencializar os seus efeitos, deve ser intensificado.