terça-feira, 6 de abril de 2010

Diastemas Dentários

A idéia de sorriso perfeito corresponde, hoje em dia, a um sorriso branco, saudável, e no qual os dentes se encontram perfeitamente alinhados, não havendo qualquer espaço entre eles.

O que é um diastema?
Um diastema é a ausência de contato entre dois ou mais dentes consecutivos, e é mais vulgarmente encontrada entre os dentes anteriores, originando um resultado estético insatisfatório. 
Os diastemas são considerados normais na dentição de leite, uma vez que os dentes de leite são em menor número que os dentes definitivos, e são um sinal de que existirá, à partida, espaço para a erupção de todos os dentes definitivos (Espaços interdentais, Tipo I, segundo Baume).
As causas dos diastemas estão freqüentemente relacionadas a anomalias de tamanho e forma dos dentes e a discrepâncias dentoalveolares. Fatores como freio labial persistente, hábitos nocivos, fusão imperfeita da linha média, overbite acentuado, agenesias, dentes supranumerários, odontomas, cistos e fissuras palatais podem contribuir para diastemas congênitos ou adquiridos.

A presença de diastema pode interferir na harmonia do sorriso tanto funcionalmente com migrações dentárias patológicas, como periodontalmente através da falta de proteção à gengiva subjacente causada pela ausência de ponto de contato. Além disso, esteticamente consiste em desarmonia quando presente em região anterior e problemas de dicção podem ser encontrados nestes casos.

Aproximadamente 22,33% dos adultos apresentam diastemas em linha média e diversas opções de tratamento existem para estes casos como: tratamento ortodôntico, restaurações diretas com resinas compostas (técnica da mão-livre e “mock up”) e restaurações indiretas de facetas e coroas totais.

Relato de Caso Clínico
Paciente de 38 anos, sexo feminino, queixando-se da aparência de seu sorriso, relatando que o espaço negro em sua arcada anterior superior trazia baixa auto-estima e prejudicava seu convívio social.
Com um compasso de pontas secas, verificou-se a largura dos incisivos centrais e ficou constatado que estavam estreitos em comparação ao diâmetro mésio-distal dos incisivos laterais. Desta forma, poderiam ser aumentados até o fechamento completo do diastema entre eles.
Um modelo de estudo foi utilizado no planejamento e uma simulação do fechamento do diastema através da escultura por ceras foi realizada com o objetivo de reanatomizar os incisivos centrais e obter um correto contato interproximal. As novas dimensões obtidas para os dentes em questão seguiram as regras da proporção áurea e de um correto perfil de emergência. 
Uma barreira de silicone por condensação foi confeccionada adaptando-se o material de moldagem sobre as faces palatinas do modelo encerado, cobrindo levemente as porções incisais dos dentes. Isto foi levado à boca e serviu como guia para realização das restaurações de resina na boca.
Nenhum preparo cavitário ou bisel foi realizado e a seleção de cor foi realizada antes do isolamento. Para região correspondente à dentina, optou-se pela cor OA2 (Ice, SDI) e tal seleção se deu no terço cervical do dente porque a espessura de esmalte nesta área é menor e a cor da dentina fica mais evidente. Para região correspondente ao esmalte, optou-se pela cor A1 (Ice, SDI) e tal seleção se deu no terço incisal por ser de maior espessura de esmalte e menor de dentina.
O isolamento relativo com roletes de algodão e expansores de boca foi escolhido porque as invaginações do lençol de borracha para dentro do sulco gengival poderiam causar alguma desadaptação.
O tempo de condicionamento com ácido fosfórico em a 37% (Super Etch, SDI) foi de 15 segundos e abrangiu uma área de 2mm em direção ao centro do dente. Após a lavagem abundante pelo dobro do tempo de condicionamento ácido, a secagem ocorreu de forma rigorosa, pois não existem problemas relacionados com colapso de fibras colágenas.
Foi utilizado um sistema adesivo convencional simplificado (Stae, SDI).
Para inserção da primeira camada, a resina composta micro-híbrida na cor A1 foi adaptada ao silicone na região correspondente ao diastema e o conjunto silicone/resina levado em posição e fotoativado por 20 segundos, simulando o esmalte palatal.
Novos incrementos foram depositados sobre este primeiro, aumentando a espessura da restauração até que esta atingisse o nível do esmalte vestibular. O último incremento recebeu o auxílio de um pincel de ponta chata para melhor adaptação e textura superficial.
O acabamento final e polimento das restaurações foram realizados na consulta seguinte, uma vez que só devem ser feitos após o período de 24 horas, a fim de aguardar o fenômeno de expansão higroscópica da resina composta que compensará, em parte, a contração de polimerização, e também para que haja uma máxima conversão polimérica das resinas compostas fotoativadas.

Imagens