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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cisto de Erupção

Semana passada atendi uma criança no consultório que tinha um cisto de erupção, e isso deixa os pais bastante preocupados, até porque a aparência do cisto não é muito bonita!
  
Pode ser chamado também de Hematoma de Erupção. 
Este cisto é um processo fisiológico normal, não há uma etiologia específica para seu desenvolvimento, podendo estar associado a um dente decíduo ou permanente. 
É uma lesão extra-óssea localizada entre o epitélio reduzido do órgão de esmalte e a coroa do dente, causada pelo acúmulo de exsudato, com freqüência hemorrágica, o que confere à gengiva a cor azulada (esta é a razão pela qual este cisto recebe o nome de "hematoma de erupção") e apresenta esta área de tumefação na gengiva. Este processo pode retardar o irrompimento dentário.

Normalmente o cisto se rompe, devido ao traumatismo mastigatório; o dente erupciona e a lesão desaparece. Com a erupção do dente, ocorre o esvaziamento desse fluido e o sintoma e a característica clínica de tumefação desaparecem. Quando isto não acontece, o aumento do volume gengival pode provocar dor, sendo necessária a ulotomia (procedimento cirúrgico). 
É aconselhável o acompanhamento do odontopediatra durante este período. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Apinhamento Dentário Anterior - Dentadura Mista


Quando se dá início às trocas dentárias, caem os dentes de leite e nascem os permanentes, ocorrem alterações dimensionais nas arcadas dentárias.

Nesta fase, denominada de dentadura mista (dentes decíduos e permanentes presentes) algumas alterações no posicionamento dos dentes podem se instalar, como, por exemplo, o apinhamento anterior, que sempre causa aos pais certa apreensão, pelo receio de que a criança possa estar desenvolvendo uma má oclusão.

Este apinhamento dentário é multifatorial, muitas vezes é o primeiro sinal clínico de discrepância osseodental ou, então, de desproporção no crescimento. Arcos estreitos predispõem ao apinhamento.

Durante a dentição decídua algumas características podem predizer quanto ao espaço necessário para os dentes permanentes, se será suficiente ou não, como por exemplo os "espaços primatas", que são espaços geralmente vistos entre os incisivos laterais e os caninos superiores e entre os caninos e os primeiros molares no arco inferior. 
Algumas análises são usadas para se predizer o crescimento dos arcos dentários, que tanto pode preceder  como  ocorrer simultaneamente à erupção dental, para, assim, avaliar se o espaço disponível no arco será suficiente para o alinhamento dos dentes.


Apinhamentos  leves  geralmente  resolver-se-ão  com  o  crescimento  e  o desenvolvimento  normal  dos  arcos dentários.

Durante a erupção dos incisivos permanentes,  ocorre  um  crescimento em  lateralidade na  região de  caninos decíduos, solucionando, muitas vezes, alguns tipos de apinhamentos.

Esta fase de trocas dentárias é chamada de "Fase do Patinho Feio"! Os incisivos superiores estão mais vestibularizados, há uma sobremordida e diastemas. Geralmente ocorre por volta dos 8 anos de idade e desaparece aos 12 anos com a erupção dos caninos permanentes. Mas pode ocorrer de os caninos não terem espaço suficiente para nascer e então teremos um problema a ser corrigido com a ortodontia.

As crianças devem ter o acompanhamento do Odontopediatra durante o desenvolvimento dos dentes, para avaliar e diagnosticar corretamente qualquer alteração da normalidade e, assim, propiciar a realização de condutas terapêuticas apropriadas. 


Durante o desenvolvimento das dentições podem ocorrer interferências no desenvolvimento normal , tanto dentário quanto ósseo, modificando o posicionamento dos dentes, instalando-se uma má oclusão, como por exemplo a perda precoce de dentes de leite, hábito de chupar dedo ou chupeta. 



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Importância do Primeiro Molar Permanente


O primeiro molar permanente é a unidade mais importante da mastigação, é considerado o elemento chave da oclusão. Ele é essencial ao desenvolvimento de uma oclusão funcional satisfatória. A perda d mesmo em uma criança pode acarretar alterações das arcadas dentárias pelo resto da vida. Estas alterações poderão ser: a diminuição da função mastigatória onde houver a perda, migração dos dentes vizinhos para o espaço do dente ausente, erupção contínua do dente antagonista, distúrbios na articulação têmporo-mandibular afetando o equilíbrio do sistema mastigatório.

Por volta dos seis anos de idade os primeiros molares permanentes iniciam a sua erupção. É neste período que os cuidados preventivos devem ser redobrados em relação à higiene e alimentação, pois o esmalte deste molar recém erupcionado não está totalmente mineralizado, tornando-o mais suscetível à cárie. Aos nove anos de idade as raízes dos primeiros molares permanentes encontram-se completas.

O primeiro molar permanente é o primeiro dente da série dos permanentes e está situado na porção posterior ao segundo molar decíduo. Neste momento crítico,, os pais deverão ficar atentos pois frequentemente ele é confundido como se fosse mais um dente de leite, não recebendo a devida atenção da grande importância deste dente no desenvolvimento da dentição permanente.


A cárie é uma doença infecciosa, transmissível, crônica e açúcar dependente. Caberá aos pais avaliarem sempre o valor nutricional e a qualidade dos alimentos ingeridos na dieta alimentar de seus filhos, evitando alimentos açucarados. Ensinar seus filhos a escovar os dentes, passar o fio dental e evitar alimentos açucarados e ricos em carboidratos, valerá para toda a vida dele.

Com a chegada dos primeiros molares permanentes, dá-se o início da fase da dentição mista. Esta fase irá perdurar até a troca de todos os dentes decíduos, que é finalizada ao redor dos treze anos, passando então para a fase da dentição permanente jovem.

Quando o primeiro molar permanente superior ocluir com o primeiro molar permanente inferior estabelece-se a "chave de oclusão molar". A análise da "chave de oclusão molar" feita pelo dentista no período da dentição mista é de grande valia pois servirá de referência básica da necessidade ou não de tratamento ortodôntico.

A erupção dos primeiros molares permanentes é guiada pela superfície posterior dos segundos molares decíduos, portanto, qualquer problema que ocorra nestes dentes, principalmente as cáries e as perdas precoces, irão afetar a posição dos primeiros molares na arcada dentária da criança. Este tipo de problema pode ser evitado através do monitoramento da criança pelo clínico, odontopediatra e ortodontista.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ausências Dentárias - anodontias, oligodontias

As agenesias dentárias são freqüentemente observadas na prática clínica. Encontradas muitas vezes ao acaso em radiografias de rotina, podem também passar desapercebidas num exame clínico inicial.

Quanto à nomenclatura, para McDonald e Avery (1977), Salzano (1988), Tommasi  (1989), Duterloo (1991), Bertold e Benemann (1996), anodontia  é  a  ausência  total de germes  e  oligodontia,  ausência parcial  de  germes. O termo hipodontia também pode ser utilizado para os casos de ausência de um ou poucos dentes (Salzano, 1988). Para Toledo (1986), anodontia vera é a ausência congênita de dentes,  total  ou parcial. Por sua vez, Walter et al. (1997) utilizam o termo somente para ausência total de dentes.

Os incisivos laterais superiores são os mais freqüentemente ausentes. Alguns pacientes apresentam ausência bilateral, porém a unilateral é a mais comum. As regiões de incisivos centrais, caninos e molares são atingidas muito raramente. Os fatores freqüentemente associados às ausências dos germes dentários são: síndromes; componentes hereditários; problemas sistêmicos, como raquitismo e sífilis, e transtornos intra-uterinos graves, que podem destruir germes dentários. Ainda é relatada como uma das causas a radioterapia em baixas doses, que pode destruir o botão dental.

Algumas síndromes podem estar associadas às agenesias dentárias, como a displasia ectodérmica hipoidrótica hereditária, que leva à ausência parcial de pêlos, glândulas sudoríparas, unhas e dentes; a síndrome de Book, na qual é comum a ausência de pré-molares superiores e inferiores, e, ainda, branqueamento prematuro dos cabelos e suor aumentado.

Berthold  e Benemann  (1996) definem  a  anodontia  como uma situação na qual  os germes dentários  não  se  desenvolvem  suficientemente    para  permitir  a diferenciação  em  tecidos  dentários,    afirmando  que  vários  são os  fatores causais das ausências dentárias. Os fatores hereditários são aceitos como importantes, pois é comum encontrar mais casos de agenesia dentária em uma mesma família. Os fatores sistêmicos, tais como raquitismo, a sífilis, e os transtornos intra-uterinos graves podem destruir germes dentários em desenvolvimento.

Os autores relatam que a anodontia na dentição decídua é condição pouco freqüente. Guedes-Pinto e Bönecker (1999) salientam a importância dos conhecimentos histológicos, clínicos e radiográficos no diagnóstico diferencial de anomalias do desenvolvimento dentário, tendo constatado que a maior prevalência de ausência de dentes decíduos ocorre para os dentes 52 e 62.
Ausência rara de seis pré-molares e terceiros molares.
Aspectos associados a ausências de germes dentários, como a forma dos dentes presentes hipoplásicos e/ou conóides, e as características da displasia do ectoderma, como secura das mucosas, malformação das glândulas salivares, abóboda palatina ogival, fenda palatina, podem estar presentes.

São raras as ausências dentárias em decíduos, principalmente de incisivos centrais, caninos e molares. Porém, quando ocorre agenesia dentária na dentadura decídua, os incisivos laterais superiores são os mais freqüentemente atingidos.
Ausência de incisivos laterais superiores e incisivos inferiores
 O acompanhamento da odontogênese deve ser feito regularmente - clínica e radiograficamente - para que se detectem alterações de desenvolvimento, como a ausência de germes dentários, a tempo de minimizar e ou solucionar as  suas  seqüelas. Também é importante o conhecimento, por parte do profissional, dos fatores que podem estar associados às agenesias, tais como doenças sistêmicas, síndromes e herança. Portanto, em virtude da possibilidade de não existir o germe dentário correspondente na dentição permanente, o profissional deve avaliar o seu paciente clínica e radiograficamente para não executar um tratamento inadequado, ou seja, extrair dentes decíduos que não têm sucessores, sem um prévio planejamento multidisciplinar com alcance a longo prazo e de  resultados  favoráveis para  o paciente, tanto estética como funcionalmente.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Avaliação Ortodôntica na Infância


Como ciência, o objetivo principal da ortodontia é estudar o crescimento craniofacial e o desenvolvimento da oclusão dentária, desde a gestação até a idade adulta. Todo esse conhecimento é aplicado ao tratamento de pacientes, no sentido de identificar precisamente as causas das maloclusões, prevenindo-as, quando possível, ou corrigindo-as, harmonizando as arcadas dentárias e devolvendo-lhes a estética facial agradável e função adequada.

A ortodontia se enquadra em três objetivos distintos: preventivo, interceptativo e corretivo. As manobras preventivas são feitas em idade infantil no intuito de manter a integridade dos tecidos bucais e evitar migrações dentárias indesejadas para áreas de eventuais perdas precoces de dentes decíduos (dente de leite), portanto ainda não existe o estabelecimento da maloclusão. As manobras interceptivas são indicadas no momento em que a maloclusão está se instalando e tem o objetivo de impedir a evolução do processo e até contorná-lo plenamente quando possível. O tratamento corretivo ocorre após o estabelecimento de relações anormais na dentição permanente completa.

ORTODONTIA PREVENTIVA

A melhor ortodontia preventiva é a manutenção dos dentes decíduos, evitando sua perda precoce por cárie ou trauma. Quando perde-se algum dente de leite antes do período correto, pode existir migração dos dentes permanentes vizinhos a ele em direção ao local de perda dentária, gerando falta de espaço para acomodação dos demais dentes permanentes. A maior migração é dos dentes posteriores em direção anterior e, no primeiro mês após a perda, ocorre a maior quantidade de migração e maior perda de espaço. Pode-se lançar mão de aparelhos fixos ou removíveis para evitar esta migração. Alguns dos fixos são arco lingual, arco palatino e banda-alça, já os removíveis são as placas ortodônticas com dentes de acrílico.
O arco lingual e o palatino devem ser utilizados na dentição mista, quando os primeiros molares permanentes já estão presentes na cavidade bucal. É um arco de metal ajustado internamente ao arco dentário. Evita o deslocamento indesejado dos primeiros molares permanentes inferiores para frente e a inclinação dos incisivos permanentes inferiores para trás.

A banda-alça consiste em um anel colocado em um molar, com braço de extensão (fio metálico) sobre o espaço da perda dentária até o outro dente vizinho. É indicado para perda precoce unitária de dentes decíduos posteriores.
Arco Lingual - Banda Alça

As placas ortodônticas dependem, integralmente, da colaboração do paciente, pois o sucesso do tratamento depende do seu uso constante. São placas de acrílico suportadas por dentes e mucosas, utilizando-se grampos para fixação e dispondo de dentes de acrílico no espaço a ser mantido. O paciente deve submeter-se a consulta de controle com período frequente, para fazer desgaste no dente de acrílico, no intuito de não interferir na erupção do dente permanente naquele espaço.

ORTODONTIA INTERCEPTATIVA

Durante o crescimento e desenvolvimento da criança, pode observar-se alguns desvios da normalidade como cruzamento anterior e/ou posterior de mordida, excessiva protrusão superior e alterações decorrentes de hábitos atípicos. Ao deparar-se com alguma situação em que o desenvolvimento do paciente possa beneficiar o tratamento ou que a maloclusão esteja prejudicando a sucessão deste processo, a ortodontia interceptiva está indicada.

Mordida Cruzada Anterior Dentária
Esta condição é, geralmente, conseqüência de um desvio na trajetória de um ou poucos dentes no sentido do seu aparecimento na cavidade bucal. A correção pode ser feita nos estágios mais iniciais da erupção dentária por meio da pressão digital (com dedo) e espátula de madeira com função de alavanca. Mais avançado na evolução da maloclusão pode-se utilizar aparelho que dispõe plano de 45º com o dente cruzado e placas ortodônticas com grampos e molas digitais pressionando o dente cruzado no sentido de sua posição correta.


Mordida Cruzada Anterior Esquelética
Esta maloclusão representa a sobressaliência dos dentes inferiores e osso basal correspondente em relação aos superiores. Os inferiores posicionam-se externamente aos superiores, invertendo a condição normal da mordida na região anterior. Os dentes acompanham o osso basal no qual estão dispostos. A correção é feita com o redirecionamento do crescimento por meio de aparelhos de ancoragem (ponto de resistência) externa a cavidade bucal como a mentoneira e a máscara facial de tração reversa maxilar. O tratamento deve persistir durante todo o crescimento puberal, para a obtenção de efeito terapêutico significativo e estável. O sucesso depende da colaboração do paciente no uso dos aparelhos e do grau de severidade da maloclusão.

Mordida Cruzada Posterior Dentária
Ocorre o envolvimento de um ou poucos dentes, devido ao desvio no seu eixo de erupção, com a relação normal dos ossos basais. Alguns dentes apresentam-se com inversão da mordida na região posterior. O tratamento pode ser feito com placas de acrílico removíveis com parafuso de ativação, ou com dispositivos fixos como os arcos palatinos modificados. A ativação é mensal e o movimento desejado envolve o conjunto dento-alveolar.


Mordida Cruzada Posterior Esquelética
Existe desarmonia transversa entre os arcos basais, sendo o superior mais estreito que o inferior. O tratamento é ortopédico, buscando harmonizar as bases ósseas através da separação induzida da sutura palatina mediana. O aparelho é fixo, suportado pelos dentes e mucosa palatina, dispondo de parafuso expansor que quando ativado afasta, no sentido transverso, as regiões posteriores do arco superior. A ativação é diária, uma vez que a correção é esquelética e a força deve ser gradativa, durante quinze dias a um mês. Terminada esta fase, faz-se contenção de no mínimo seis meses. Esta interceptação em situações extremamente favoráveis pode conferir a total correção da maloclusão, dispensando o tratamento corretivo mais tarde. O citado procedimento tem a resalva de que os ossos maxilares, na sutura palatina mediana, não estejam totalmente fusionados, fato que ocorre próximo aos quinze anos de idade.






Protrusão Maxilar
A sobressaliência do arco superior é percebida cedo na vida da criança. É interceptada, preferencialmente, no surto de crescimento puberal por meio de aparelhos extra-orais. Esta manobra é procedida geralmente após a erupção dos primeiros molares e antes da erupção caninos permanentes. Em média, nas meninas este período fica em torno dos dez anos de idade, enquanto nos meninos fica a cerca dos doze anos. O tratamento tem duração até o final do crescimento puberal.

Uma das maloclusões mais comuns decorrentes de hábitos atípicos é a mordida cruzada aberta na região anterior e na posterior, sendo que nesta última pode apresentar-se uni ou bilateralmente. Os hábitos mais comuns na origem desta condição são interposição do lábio e língua entre os dentes superiores e inferiores, respiração bucal, utilização prolongada de chupeta ou mamadeira, sucção digital (chupar dedo) e a colocação de objetos na boca, como: brinquedo, lápis e caneta.

O primeiro objetivo do tratamento visa eliminar a causa. Pode-se lançar mão de alguns aparelhos como grade lingual ou palatina, com pontas ativas ou não, para impedir a consolidação do hábito, aparelho removível para corrigir diastema, placa ativada pelo lábio para impedir sua interposição. 
Grade Palatina

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fluorose Dentária


A partir do final do século XIX dentistas chamaram a atenção para populações restritas com manchamento dos dentes com coloração marrom. Descobriram que a causa deste defeito nos dentes estava associada a presença natural de flúor na água de abastecimento público e ao mesmo tempo que estas populações tinham um baixo índice de cáries. Desde então milhares de conferências e estudos científicos são desenvolvidos para entendermos os mecanismos de ação do flúor e seu efeito na prevenção de cárie, ação sistêmica e ação tópica de flúor, a distribuição do flúor no corpo humano, ingestão apropriada do flúor nos dias atuais e o seu risco de toxicidade.

E O QUE É FLUOROSE DENTAL?
A fluorose dental é um defeito estético no esmalte sob forma de estrias, pontos ou manchas na cor branco-opaco até amarelo ou marrom provocadas pelo excesso de flúor ingerido durante longos períodos (toxicidade crônica).



Ocorre durante a odontogênese ou processo de formação dos dentes. Este processo inicia a partir do 1º trimestre de gravidez, quando se inicia a mineralização dos incisivos decíduos, até aproximadamente os 8 anos de idade, quando se formam os segundos molares permanentes. Sua severidade e distribuição depende da concentração do flúor, durante quanto tempo foi ingerido, estágio de formação do esmalte e de variações individuais em relação à suscetibilidade. Porém outros fatores também importantes influenciam a severidade da fluorose como: estado nutricional, baixo peso corporal, períodos de crescimento e remodelamento ósseo, altitude e alteração da atividade renal.

COMO OCORRE A FLUOROSE, COMO O FLÚOR É ABSORVIDO PELO ORGANISMO?
 Quando uma solução fluoretada passa pela boca, uma parte interage com as estruturas dentais por contato e uma pequena parte é absorvida através da mucosa bucal. Da quantidade ingerida, no trato gastro-intestinal sua absorção ocorre principalmente no estômago. A quantidade e a composição dos alimentos no estômago no momento da ingestão do flúor determinarão a quantidade e o índice de absorção do flúor. Se o estômago estiver preenchido com alimentos parte do flúor será excretado nas fezes e não será absorvido. Mas se qualquer forma de flúor for ingerida com estômago vazio, geralmente haverá completa absorção. Outra porção do flúor cai na corrente sangüínea, deposita-se nos tecidos mineralizados do corpo principalmente nos ossos. Finalmente, o restante é excretado pela urina, fezes e suor e uma pequena quantidade retorna à cavidade bucal, através da saliva e fluido gengival.

No Brasil, uma grande parcela da população tem contato com o flúor através da forma sistêmica (fluoretação da água de abastecimento público, do leite, do sal, medicamentos com flúor, alimentos e bebidas com alto teor de flúor) e da forma tópica (cremes dentais, géis e fluoretos como soluções para bochechos). Com tantas fontes de flúor ao alcance da população se faz necessário um controle e monitoramento das empresas que fornecem e distribuem a água e através da vigilância sanitária critérios rígidos no controle dos alimentos e bebidas que contenham flúor.

A AÇÃO TÓXICA DO FLÚOR PODE SER DIVIDIDA EM DUAS SITUAÇÕES: AGUDA OU CRÔNICA
A toxicidade aguda ocorre quando uma grande quantidade de flúor é ingerida de uma só vez. Nos preocupamos portanto com os riscos que as crianças podem correr se alguns cuidados não são tomados. Então vejamos: para maior segurança foi sugerido dose de segurança, chamada de dose provavelmente tóxica. Esta dose estimada em 5,0mgF/K.

A toxicidade crônica acontece quando pequenas quantidades de flúor (dpt= 0,05 a 0,07 mgF/kg/dia) sistêmico ou tópico ocorrem durante longos períodos causando o manchamento do esmalte ou fluorose dental. O período de desenvolvimento em que os dentes estão mais sujeitos à fluorose parece ser entre 22 e 26 meses de idade perdurando o risco até 5,5 anos de idade. Nem todos os dentes são igualmente afetados pela fluorose dentária. Os dentes menos afetados são os incisivos e primeiros molares permanentes, ao passo que os pré-molares e outros molares permanentes são os mais gravemente afetados.  

CUIDADOS COM O USO DE FLUORETOS E CREMES DENTAIS
Crianças menores de 5 anos de idade ainda têm dificuldades em controlar a deglutição, logo também não sabem enxaguar, cuspir ou expectorar corretamente. Nessa faixa etária as crianças ingerem cerca de 30% da quantidade do creme dental usado. Se escovarmos de 2 a 3 vezes ao dia e a quantidade de creme dental for maior do que uma ervilha, esta quantidade é de risco considerável para fluorose. Não esquecendo que além do creme dental ingerido também temos o consumo da água fluoretada e outras fontes.

No Brasil todos os dentifrícios devem conter uma concentração mínima de 600 ppm de flúor pelo prazo de 1 ano, a partir da data de fabricação. A maioria dos cremes dentais contém entre 1000 e 1500 ppm de flúor e estão sob vigilância sanitária.

Segundo pesquisas o uso de dentifrícios fluoretados antes de dois anos de idade é responsável por 72% dos casos de fluorose. Por este motivo os pais devem supervisionar na escovação tanto a limpeza como a quantidade de creme dental utilizado.

Atualmente recomenda-se utilizar o creme dental com flúor uma vez ao dia na quantidade de um grão de arroz com a presença dos molares decíduos em boca, o que ocorre por volta dos 18-24 meses da criança. Mas estando a criança com uma alimentação equilibrada e assistida pelo dentista esta poderá utilizar o creme dental sem flúor até que o profissional indique o momento de trocar para o creme dental com flúor. Desta forma a criança correrá menor risco de fluorose.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Bico, parte integrante da vida do bebê ou um recurso dispensável?


A primeira etapa de desenvolvimento psicológico do homem é a fase oral, na qual a satisfação de prazeres e a própria subsistência giram em torno da boca. A sucção é uma função vital que supre as necessidades nutricionais e emocionais do recém-nascido.

Então o uso do bico é parte integrante da vida do bebê ou um recurso dispensável?
É importante que o bico faça parte da vida do bebê, quando for para sua tranqüilidade e nos momentos de necessidade de sugar. A oferta do bico como fonte de sucção representa um estímulo, um exercício que deve ser feito pelos pais para suprir a necessidade fisiológica de sugar.Quando o bebê mama está satisfazendo duas necessidades: alimentação e sucção. Ao mamar no seio, por exigir maior trabalho de sugar, às vezes o bebê satisfaz a sua necessidade de sucção e, cansado adormece. Acorda em seguida porque sente fome. Se, ao contrário, a fome for saciada, mas com pouco sugar, também acordará em seguida, desta vez por falta de sucção. Seria ideal se ambas fossem saciadas ao mesmo tempo. No primeiro exemplo, é preciso amamentá-lo mais, e no segundo, um pouco de bico suprirá a falta de sucção.

Mas como saber se nosso filho está precisando sugar?
Toque seus lábios com o bico e observe: se o bebê fizer movimentos de sucção, ainda se faz necessário mais um pouco de bico. Se o hábito de sucção for exercido de forma completa e agradável, diminuirá espontaneamente quando a criança começar a desenvolver outras atividades, entre elas, utilizar as mãos e vocalizar.

Como usar o bico e não formar o hábito?
Em primeiro lugar, não se deve prender o bico na roupa do bebê ou em correntinhas, pois por estar sempre disponível, mesmo quando não solicitado, induzirá ao hábito. Deve ser oferecido após a mamada, observando se o bebê faz os movimentos de sucção conforme descrito anteriormente. O bico pode ser usado como um "aparelho" para exercitar o bebê em exercícios de sucção. Introduza o bico e "brinque" com o bebê puxando o bico para trás por no mínimo 10 vezes, estimulando-o com isso na sucção.
A criança deve ter um só bico: o hábito de ter um para chupar, outro para esfregar no narizinho ou no rostinho, mais uma fraldinha para cheirar, no momento da remoção do hábito gerará maior desconforto e maior sensação de perda.

São três as idades para eliminação do hábito de sucção do bico:
Funcional: com o aparecimento do primeiro dente, a função de sucção deve ser gradativamente substituída pela de mastigação para que haja um estímulo mais apropriado das estruturas que concorrem para a mastigação;
Anatômica: entre três e quatro anos, com o objetivo de preservar a forma anatômica das arcadas dentárias;
Emocional: deve-se considerar a maturidade emocional. Portanto a idade ideal varia e depende da avaliação do odontopediatra e da família.


Se este hábito persistir além dos 3 ou 4 anos, provocará deformidades e alterações na musculatura e nas estruturas ósseas. Estas alterações serão maiores ou menores dependendo de variáveis do hábito de uso do bico:
Freqüência: número de vezes que usa o bico ao dia;
Duração: quanto tempo chupa o bico efetivamente;
Intensidade: a força com que chupa;
Posição: às vezes a criança chupa o bico invertido causando mais pressão no palato;
Idade: quanto mais tarde for abandonado o hábito maior será o dano causado;
Predisposição individual: relacionado ao padrão de crescimento da criança;
Musculatura bucofacial: grau de tonicidade dos músculos da região. 

Características do Bico
Até a época da erupção dos dentes de leite, o estímulo causado no desenvolvimento do palato e arcada dentária superior é favorável e importante. Por isso, o formato deve ser anatômico. O mais indicado é o bico ortodôntico que se adapta ao palato e à língua, pois guarda semelhança com o mamilo materno. O disco de plástico deve ter formato côncavo com perfurações laterais para evitar o acúmulo de saliva e conseqüente irritação da pele. Existem diversos tamanhos que acompanham as mudanças de idade e é importante usar o indicado para aquela faixa etária. Os bicos de silicone, por sua transparência e polidez, são mais higiênicos.
É importante que os bicos estejam dentro dos padrões exigidos pela ABNT - Normas Técnicas de Segurança de Chupetas (1999) e que, na embalagem, estejam especificadas todas as suas características. As embalagens devem ainda apresentar o selo do Inmetro ou Abrapur.

Bico Ortodôntico
É melhor bico do que dedo
É importante frisar que o hábito de sucção de dedo traz maiores prejuízos às estruturas bucais do que a sucção do bico, porque o braço funciona como uma alavanca e conseqüentemente faz mais força, gerando maiores deformidades.

Problemas causados pelo Bico
O limite para não haver maiores danos na forma das arcadas é ao redor dos quatro anos de idade, pois haverá uma "autocorreção" da deformidade causada pelo bico. O comprometimento havido na forma das arcadas dentárias pelo hábito de sucção de bico não é ainda de grande magnitude, e se "autocorrigirá" sem necessidade do uso de aparelhos.
Porém, se o hábito não cessar nesta idade ocorrerá a mordida aberta anterior.
Mordida Aberta Anterior

sábado, 15 de janeiro de 2011

Odontologia para Bebês

O BEBÊ PODE TER CÁRIE?

A prevenção das doenças bucais em bebês deve começar cedo. Isto porque bactérias cariogênicas já podem se instalar assim que o primeiro dente aparece na cavidade bucal do bebê, por volta dos seis meses de idade. A atenção odontológica deve começar ainda durante a gravidez, por meio de um trabalho educativo e curativo, se necessário, com as gestantes.

O pré-natal odontológico é importante e deve incluir o tratamento da gestante e as orientações sobre os cuidados que a mãe deve ter com a sua saúde oral, para que seu filho, que está para chegar, venha ao mundo com saúde.

“Se a mãe tiver cárie, ela pode transmitir a doença para o bebê”. O bebê nasce sem a bactéria que causa cárie, mas pode ser contaminado pelo contato com pessoas que lidam com ele. A mãe, ao assoprar a comida, ao usar o mesmo copo ou talheres que o bebê, ao morder um pedaço de alimento destinado ao bebê ou ao beijar a boca do filho pode contaminá-lo. A chupeta, quando cai no chão, deve ser esterelizada e jamais deve ser levada a boca da mãe ou do pai com a intenção de limpá-la.

A PRIMEIRA VISITA DO BEBÊ AO DENTISTA

Esta consulta deve ser após o aparecimento do primeiro dente, ou antes, se existir alguma dúvida em relação a saúde bucal, para que o bebê se familiarize com esse novo ambiente e, principalmente, para que possam ser implantados métodos preventivos.

Nesta consulta inicial é realizado um exame da boca, dentes e gengivas do bebê. O dentista orienta os pais qual a maneira mais apropriada para alimpeza dos dentes e gengivas. No caso, exige-se uma limpeza rápida e efetiva, utilizando-se escova infantil macia e / ou gaze ou dedeiras específicas. Indica-se ainda o tipo e a quantidade correta de pasta de dente. Além disso, o dentista pode avaliar e informar sobre a ocorrência de hábitos nocivos, como chupar bico ou dedo, identificar possíveis anomalias e as necessidades de flúor do bebê.

CÁRIE DE MAMADEIRA

Tão logo o dente aparece na boca a cárie pode se manifestar. O principal problema entre as crianças de um a três anos de idade é chamado de cárie de mamadeira. Isso pode acontecer quando os dentes do bebê são expostos a líquidos contendo açúcar por longos períodos de tempo, principalmente antes de dormir ou durante a madrugada. Este processo também pode acontecer se for utilizado bico umedecido em mel ou em outra substância que contenha açúcar.

A cárie de mamadeira, assim chamada, causa sofrimento ao bebê, pois pode desenvolver-se rapidamente, envolvendo, primeiro, os dentes anteriores superiores, gerando infecções e forte dor. Os dentes cariados devem ser tratados e, muitas vezes, necessitam de procedimentos complexos e extensivos para eliminar infecções que possam prejudicar a saúde do bebê / criança e também permitir que os dentes permanentes possam desenvolver-se em local sem infecção.

A HIGIENE DOS DENTES DO BEBÊ

O melhor método para evitar cárie em dentes jovens é começar cedo com uma boa higiene bucal. Até mesmo antes dos dentes aparecerem, os pais devem limpar as gengivas da criança com gaze ou dedeira. A escova, pequena e macia, deve ser utilizada com uma pequena quantidade de pasta assim que o primeiro dente aparece na cavidade bucal. A quantidade de pasta utilizada pelo bebê deve ser pequena, não maior que um grão de lentilha. A pasta possui flúor, muito importante para a proteção dos dentes, mas que se utilizada em excesso e deglutida pode trazer conseqüências indesejáveis para a saúde do bebê. A higienização deve ser realizada pela mãe ou pelo pai ao menos uma vez por dia, de preferência à noite, antes de dormir. O ideal é três vezes ao dia.

A ERUPÇÃO DOS DENTES DO BEBÊ
Sinais que indicam o aparecimento dos dentes:

Se o bebê coloca tudo na boca, geme ou chora com freqüência, está salivando demasiadamente, provavelmente algum dente está irrompendo. Se a gengiva estiver irritada, avermelhada e inchada, ou se você puder sentir ou mesmo ver a ponta de um dente surgindo, então o dente do bebê está na fase de erupção.

Outros sintomas, como irritação, febre, náusea, falta de apetite e diarréia muitas vezes estão presentes durante a erupção dos dentes. Esta, no entanto, não é a única razão para o aparecimento destes sintomas. Assim uma consulta com o odontopediatra e com o pediatra pode ser importante.

OS DENTES DO BEBÊ

O primeiro dente a aparecer na boca é geralmente o incisivo central inferior, por volta do sexto mês. Depois em ordem aparecem os: incisivos centrais superiores, incisivos laterais inferiores, incisivos laterais superiores e mais adiante vem os primeiros molares, os caninos. Por ultimo aparecem os segundos molares até completar 20 dentes de leite. Em algumas crianças os dentes aparecem cedo, outras demoram muito para tê-los. Cada bebê tem a sua programação individual para a erupção dos dentes. De uma forma geral, as meninas tendem a ter seus dentes irrompidos mais cedo que os meninos.

 POR QUE OS DENTES DE LEITE SÃO IMPORTANTES?

Muitos acham que os dentes decíduos (de leite) não são importantes porque posteriormente serão trocados pelos dentes permanentes, mas isto não é verdade. Ao contrário, a manutenção de todos os dentes de leite é necessária por eles serem importantes para:
- a mastigação e digestão dos alimentos;
- o desenvolvimento dos músculos da face;
- ajuda a fala;
- para um sorriso bonito (estética);
- para guardar espaço e orientar a erupção correta dos dentes permanentes.