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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cisto de Erupção

Semana passada atendi uma criança no consultório que tinha um cisto de erupção, e isso deixa os pais bastante preocupados, até porque a aparência do cisto não é muito bonita!
  
Pode ser chamado também de Hematoma de Erupção. 
Este cisto é um processo fisiológico normal, não há uma etiologia específica para seu desenvolvimento, podendo estar associado a um dente decíduo ou permanente. 
É uma lesão extra-óssea localizada entre o epitélio reduzido do órgão de esmalte e a coroa do dente, causada pelo acúmulo de exsudato, com freqüência hemorrágica, o que confere à gengiva a cor azulada (esta é a razão pela qual este cisto recebe o nome de "hematoma de erupção") e apresenta esta área de tumefação na gengiva. Este processo pode retardar o irrompimento dentário.

Normalmente o cisto se rompe, devido ao traumatismo mastigatório; o dente erupciona e a lesão desaparece. Com a erupção do dente, ocorre o esvaziamento desse fluido e o sintoma e a característica clínica de tumefação desaparecem. Quando isto não acontece, o aumento do volume gengival pode provocar dor, sendo necessária a ulotomia (procedimento cirúrgico). 
É aconselhável o acompanhamento do odontopediatra durante este período. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Adultos com dentes de leite em boca


Uma paciente chegou ao posto de saúde relatando dor de dente, ao examiná-la fiquei surpresa e lhe disse: “esse dente que está doendo é um dente de leite!”, ela não acreditou.



Essa paciente tem 31 anos e ainda apresentava o dente 63. Contou-me que seu último dente de leite a cair foi aos 16 anos (o dente 13). Ao exame clínico, o dente 63 apresentava leve mobilidade, sensível ao toque e cárie. Com a radiografia foi verificado a presença do dente 23 retido.

Não é incomum pacientes adultos apresentarem dentes de leite em boca. Normalmente o período trocas dentárias ocorre até por volta dos 12 anos de idade.



Quando ocorre a retenção de dentes de leite, por mais tempo que o normal, o motivo mais comum é não ter ocorrido o desenvolvimento do dente permanente e desta forma não ocorre a troca dentária. Sem o dente permanente não há reabsorção da raiz do dente de leite, o dentinho de leite não fica mole e não irá cair! Essa anomalia, denominada de anodontia ou hipodontia, pode ser causada por diversos fatores, sendo a hereditariedade o principal deles.
Se o dente de leite estiver firme, saudável, bem harmonizado com o restante da arcada dentária e o paciente não se incomodar com a aparência “infantil” do dentinho, ele pode permanecer ali por toda a vida. Entretanto, o mais comum é que este dente amoleça, por não suportar as cargas mastigatórias, tornando-se mais frágil, sendo pequeno em relação aos outros dentes permanentes, causando problemas mastigatórios e ortodônticos.
O mais indicado é que o dente de leite que não caiu seja extraído e substituído por um implante, que reabilita permanentemente as funções de fonética, mastigação e estética da boca.

No caso da minha paciente o dente permanente está ali! Ele se formou! E então o que fez este dentinho de leite permanecer por tanto tempo?!



Ao examinar a paciente que me procurou, notei um aumento de volume na gengiva por vestibular, logo acima do canino decíduo. 

Dentes permanentes inclusos podem provocar consequentemente a permanência do decíduo. A alteração no período normal de erupção do dente permanente pode ocorrer por diferentes fatores etiológicos, de origem local, ambiental ou genética.

Esta anormalidade de erupção deve ter ocorrido por uma retenção vestibular do canino permanente, devido à falta de espaço (discrepância negativa), provocando a retenção prolongada do canino decíduo. Minha conduta foi orientá-la que se tratava de um dente de leite e que o permanente estava ali; fiz a exodontia do 63 e a encaminhei ao ortodontista para avaliar a possibilidade de posicionamento do 23 em seu devido lugar com tracionamento ortodôntico. Espero poder acompanhar este caso e publicar aqui os resultados para vocês!


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Apinhamento Dentário Anterior - Dentadura Mista


Quando se dá início às trocas dentárias, caem os dentes de leite e nascem os permanentes, ocorrem alterações dimensionais nas arcadas dentárias.

Nesta fase, denominada de dentadura mista (dentes decíduos e permanentes presentes) algumas alterações no posicionamento dos dentes podem se instalar, como, por exemplo, o apinhamento anterior, que sempre causa aos pais certa apreensão, pelo receio de que a criança possa estar desenvolvendo uma má oclusão.

Este apinhamento dentário é multifatorial, muitas vezes é o primeiro sinal clínico de discrepância osseodental ou, então, de desproporção no crescimento. Arcos estreitos predispõem ao apinhamento.

Durante a dentição decídua algumas características podem predizer quanto ao espaço necessário para os dentes permanentes, se será suficiente ou não, como por exemplo os "espaços primatas", que são espaços geralmente vistos entre os incisivos laterais e os caninos superiores e entre os caninos e os primeiros molares no arco inferior. 
Algumas análises são usadas para se predizer o crescimento dos arcos dentários, que tanto pode preceder  como  ocorrer simultaneamente à erupção dental, para, assim, avaliar se o espaço disponível no arco será suficiente para o alinhamento dos dentes.


Apinhamentos  leves  geralmente  resolver-se-ão  com  o  crescimento  e  o desenvolvimento  normal  dos  arcos dentários.

Durante a erupção dos incisivos permanentes,  ocorre  um  crescimento em  lateralidade na  região de  caninos decíduos, solucionando, muitas vezes, alguns tipos de apinhamentos.

Esta fase de trocas dentárias é chamada de "Fase do Patinho Feio"! Os incisivos superiores estão mais vestibularizados, há uma sobremordida e diastemas. Geralmente ocorre por volta dos 8 anos de idade e desaparece aos 12 anos com a erupção dos caninos permanentes. Mas pode ocorrer de os caninos não terem espaço suficiente para nascer e então teremos um problema a ser corrigido com a ortodontia.

As crianças devem ter o acompanhamento do Odontopediatra durante o desenvolvimento dos dentes, para avaliar e diagnosticar corretamente qualquer alteração da normalidade e, assim, propiciar a realização de condutas terapêuticas apropriadas. 


Durante o desenvolvimento das dentições podem ocorrer interferências no desenvolvimento normal , tanto dentário quanto ósseo, modificando o posicionamento dos dentes, instalando-se uma má oclusão, como por exemplo a perda precoce de dentes de leite, hábito de chupar dedo ou chupeta.